Diário eletrônico de escritos que ousei não apenas escrever, mas também torná-los públicos. Uma espécie de desabafo sentimental; não diria que trata-se de poemas, mas com certeza faz parte da literatura de meu coração. O eu-lírico dos textos são meus variados "it's" simplificados... É uma tentativa de descrição de um pobre-rico coração...
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Amor: receita do contraste
Será que é indecência gostar de café e gelo ao mesmo tempo? A princípio até parece loucura... Mas em certas localidades a natureza mistura neve com vulcões em plena erupção: icebergs e fogo! Na praia tomamos água de côco ou cerveja e sempre fazemos questão de complementar "bem gelada"... Por que parece tão atraente a mistura do calor e frio para muitos? Muitas vezes, inclusive, essa combinação é vital para alguns. Será que só depende do referencial? Há pessoas que vivem bem em meio à poluição, respirando ar seco ou congelando feito pinguim, entrando quase em ebulição ou fusão. Há aqueles que se não tomarem chocolate quente quando vão ao shopping perdem a viagem. Outros preferem mesmo um sorvetinho... Mas sabemos que também é comum encontrarmos aqueles que preferem o velho caputchino com creme, ou seja, quente com frio! Isso é deslealdade? Acho que ser leviano é não reperar que a luz das estrelas é mais ofuscante quando estamos no escuro... Esse é só mais um contraste que funciona muito bem quando os opostos estão unidos.Geralmente temos sim uma preferência e isso varia de pessoa para pessoa. Entra na balança: clima do lugar, temperamento do indivíduo, transição de idade, paladar, genética, criação e até mesmo coração! De fato a receita do amor tem os mesmos ingredientes, porém quantidade e resultados variados! Deslealdade é não degustar por medo de não combinar!
Trivialidades de atos sagrados: resultado perigoso
O que fazer quando um "bom dia" soa como apenas um simples gesto de educação e um olhar fugidio teima em não querer te ver? O que fazer quando as palavras perdem seu valor afetivo dando lugar ao cumprimento de uma obrigação social? Às vezes nem palavras há... O que permanece é um profundo silêncio e incômodo - um grande desconforto. E se em meio de pensamentos perdidos você achar que o que pensa pode não ser a verdade do que você mesma sente? Como agir se o que quer não é o que você é?Será que empurrar uma estaca num bicho aparentemente peçonhento não dói também em ti? Será que responder sempre na mesma altura e tom não pesa demais para seu timbre? O ditado "dançar conforme a música" sempre funciona? Como dançar tango se você arrisca apenas um forró pé-de-serra? Ah! Já sei... Temos que arriscar porque o que vale é a intenção. Será? Adianta praticar o bem de coração amargurado? Falam da intenção do coração ou da razão? Difícil saber... Vale a pena deixar-se sangrar por facadas que te roubam a alma? O corpo apanha, mas é o espírito que sente, que paga, que se apaga...
terça-feira, 12 de abril de 2011
Infinita procura
Vivo a procura de mim mesma: em cada gota que cai do céu, em cada grão de areia que preenche o fundo do oceano e em cada estrela que quando chega aos nossos olhos sequer existem mais... É tudo imensidão, ilusão. Me encontro nas mais vis e inocentes situações; escorro por entre os dedos... Sou voraz, sou fulgás e até mesmo volátil. Sou surpresa inesperada que umas vezes vai e outras vezes fica. Indo e voltando.. Mas onde estou de verdade em meio a esse tudo, esse nada?
Onde estou eu? Será que na vela de um barco ou será que por onde o vento passa? Talvez até num móvel empoeirado ou num poço vazio... Me vejo em todas as partes; sou uma ou não sou nenhuma? Quem sabe só uma ventania que tudo derruba, mas nada leva... Quem sabe somente um mar depois de um tsunami. Apenas um livro empoirado e velho esquecido numa prateleira... Uma enciclopédia não consultada...
E esta longa procura parece não ter fim... Se é perene não é rio nem papel. Se tem correnteza e covardes ondas me desarmam é mar. Não pode ser riacho porque é gigante, também não é somente uma queda d'água, pois é titânico. Ora sou uma imensidão dentro de um ponto, ora um ponto diante da imensidão. Uma força enorme diante da fragilidade circundante, uma fraqueza desmedida ante o gigante desafio da vida. Não é cachoeira porque nem é tão belo, nem tão doce. Talvez agridoce ou mesmo puro sal. Mas sei que neste lugar tem vida; sinto que há uma forte pulsação. Não é de todo um mal... Mas será que é infinito?
É por entre brava coragem que me escondo; que escondo meus medos e devaneios de um coração tão sofrido. A covardia também, por vezes, me faz moradia. E fico parada ou simplesmente vou... Até a morte nos leva. Tudo se acaba. Mas o que será que fica? É só o amor....
Danielle G. da Silva
Onde estou eu? Será que na vela de um barco ou será que por onde o vento passa? Talvez até num móvel empoeirado ou num poço vazio... Me vejo em todas as partes; sou uma ou não sou nenhuma? Quem sabe só uma ventania que tudo derruba, mas nada leva... Quem sabe somente um mar depois de um tsunami. Apenas um livro empoirado e velho esquecido numa prateleira... Uma enciclopédia não consultada...
E esta longa procura parece não ter fim... Se é perene não é rio nem papel. Se tem correnteza e covardes ondas me desarmam é mar. Não pode ser riacho porque é gigante, também não é somente uma queda d'água, pois é titânico. Ora sou uma imensidão dentro de um ponto, ora um ponto diante da imensidão. Uma força enorme diante da fragilidade circundante, uma fraqueza desmedida ante o gigante desafio da vida. Não é cachoeira porque nem é tão belo, nem tão doce. Talvez agridoce ou mesmo puro sal. Mas sei que neste lugar tem vida; sinto que há uma forte pulsação. Não é de todo um mal... Mas será que é infinito?
É por entre brava coragem que me escondo; que escondo meus medos e devaneios de um coração tão sofrido. A covardia também, por vezes, me faz moradia. E fico parada ou simplesmente vou... Até a morte nos leva. Tudo se acaba. Mas o que será que fica? É só o amor....
Danielle G. da Silva
segunda-feira, 28 de março de 2011
Covardia: matar o que não se pode levar
Pior que tiro à queima-roupa é sentir a navalha roçar sua pele, sua carne, seu cerne. Vagarosamente... Pouco a pouco partes suas são fragmentadas, extorquidas, mutiladas, aniquiladas. Paulatinamente. Atira! Acaba de vez com a pouca respiração que me restou. Mata de vez este corpo esmolecido pelas pancadas desumanas. Leva! Leva de vez toda mesquinhês e hipocresia. Leva minha pulsação... Esgote os resquícios das salivas que circulam por entre minhas veias. Atira de vez e arranca de mim todos os males. Mas não, não destrua mais, não destrua indiferentemente meus restos vitais; eles são tudo que tenho, tudo que me restou. Leve meu corpo, mas deixe minha alma resplandecer...
Danielle G. da Silva
Danielle G. da Silva
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Amálgama imperfeito
E num labirinto, tentava me esquivar dos monstros que me perseguiam. Eram como demônios com falsa aparência angelical. Mas aquele olhar não me enganava: sua essência era mesmo maligna.
Desesperada, não conseguia fugir... A teia labiríntica que me cercava envolvia todo o meu mundo. Não era somente uma questão espacial; era um problema transcendental. Já não sabia mais se o temor acontecia de fora para dentro ou de dentro para fora. Tudo que sabia era o que sentia. Sentia um aperto enorme em meu peito. Fazia o que não queria e queria fazer o que não deveria...
Tudo era muito louco; sentia muito medo. Medo de mim, medo da vida, medo da morte, medo dos erros, medo dos monstros, das pessoas que me rodeavam...
Tudo evoluía e eu ali inerte, vendo tudo crescer. Tamanha impotência me circundava. Eu ali, pequenina. Eu - meio monstro, meio humana. Eu - errada e errante - cercada por iguais...
Danielle Guimarães da Silva
Desesperada, não conseguia fugir... A teia labiríntica que me cercava envolvia todo o meu mundo. Não era somente uma questão espacial; era um problema transcendental. Já não sabia mais se o temor acontecia de fora para dentro ou de dentro para fora. Tudo que sabia era o que sentia. Sentia um aperto enorme em meu peito. Fazia o que não queria e queria fazer o que não deveria...
Tudo era muito louco; sentia muito medo. Medo de mim, medo da vida, medo da morte, medo dos erros, medo dos monstros, das pessoas que me rodeavam...
Tudo evoluía e eu ali inerte, vendo tudo crescer. Tamanha impotência me circundava. Eu ali, pequenina. Eu - meio monstro, meio humana. Eu - errada e errante - cercada por iguais...
Danielle Guimarães da Silva
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Apenas um instante...
Foi num instante que tudo aconteceu. Por um instante toda a minha vida mudou. Uma ofuscante fresta de luz veio com a velocidade de um raio. E num pequeno instante tudo que parecia real se transformou em sonho: imagens perfeitas. O que sabia escorria por entre meus dedos. Minhas mãos, ampulhetas. Perdia covardemente o controle da situação. Me sentia um ponto em meio a todo o Universo. Eu já não mais me pertencia.
E esse instante agigantou-se com a força de um Titã. Inabalável instante. Sucessões instantâneas de prazer. Estes pequenos grãos uniram-se em meu corpo, tomando-o por completo. Impregnou meus pensamentos, minha pele, minha roupa; penetrou em minha alma. Tinha um formato líquido, cor forte, flamejante. Passeava por entre minhas veias queimando, ardendo. Agora as chamas já haviam me invadido por completo. A loucura tomava conta de mim. Eu era puro descontrole... Eu e você: alquimia perigosa.
O mesmo instante que me tomava e manipulava, paralisava-me, dinamizava-me. De forma ilógica minha vida voltava, ao passo que, minha respiração desregulava. A emoção me desnudava. Eu me sentia! Agora – não mais zumbi – alguém enérgica, louca para viver a vida como vier. Vivê-la intensa, louca e profundamente. Antes - alguém acuada por um medo tatuado no peito – alguém que carregava consigo um enorme peso: um escudo. Hoje, sem armas, sem pesares. Impulsos a todo vapor. Sem razão. Novamente uma boba... Mas agora uma boba feliz, uma boba viva! Toda aquela segurança hermética e surreal desabou, foi destruída. Era apenas um espectro negro a mais para me perseguir. Livre! Alguém me libertou... Não do temor, mas da morte em vida. Estou eu, aqui, feito a bela adormecida, salva por um beijo de seu príncipe... Encantada com os descaminhos da vida, encantada por você. Boba... Boba!!!
Danielle G. da Silva
E esse instante agigantou-se com a força de um Titã. Inabalável instante. Sucessões instantâneas de prazer. Estes pequenos grãos uniram-se em meu corpo, tomando-o por completo. Impregnou meus pensamentos, minha pele, minha roupa; penetrou em minha alma. Tinha um formato líquido, cor forte, flamejante. Passeava por entre minhas veias queimando, ardendo. Agora as chamas já haviam me invadido por completo. A loucura tomava conta de mim. Eu era puro descontrole... Eu e você: alquimia perigosa.
O mesmo instante que me tomava e manipulava, paralisava-me, dinamizava-me. De forma ilógica minha vida voltava, ao passo que, minha respiração desregulava. A emoção me desnudava. Eu me sentia! Agora – não mais zumbi – alguém enérgica, louca para viver a vida como vier. Vivê-la intensa, louca e profundamente. Antes - alguém acuada por um medo tatuado no peito – alguém que carregava consigo um enorme peso: um escudo. Hoje, sem armas, sem pesares. Impulsos a todo vapor. Sem razão. Novamente uma boba... Mas agora uma boba feliz, uma boba viva! Toda aquela segurança hermética e surreal desabou, foi destruída. Era apenas um espectro negro a mais para me perseguir. Livre! Alguém me libertou... Não do temor, mas da morte em vida. Estou eu, aqui, feito a bela adormecida, salva por um beijo de seu príncipe... Encantada com os descaminhos da vida, encantada por você. Boba... Boba!!!
Danielle G. da Silva
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
O Museu em mim
Sou como um museu.
Sim! Guardo “coisas velhas” dentro de mim...
E o tempo não consegue carregar consigo a essência delas;
ele apenas corrói, enferruja e desgasta o que é visível.
Sou repleta de compartimentos.
O problema é categorizar ou hierarquizar os objetos contidos neles...
Não, não! Tem mais um grande problema:
não consigo fazer apenas uma visita ao ano naquele templo de coisas antigas como fazem os estudantes]
Tampouco meu interesse é acadêmico.
Este museu é minha moradia...
Quando resolvo sair para passear ao shopping,
assusto-me com tanta novidade e tecnologia.
Sou mesmo à moda antiga...
Creio no Sol, mesmo quando ele não brilha;
Creio no amor, mesmo quando não há correspondência;
Creio até no perdão, mesmo quando esta é a coisa mais difícil de ser conquistada.
Mas, pensando bem, há algo de mim naquele shopping:
as lojas que fecham para balanço.
Minha revisão interior faz-se urgentemente necessária!!!
Paixões, amores, namoros e amizades vieram e com a mesma efemeridade se foram.
Mas há algo de errado porque dentro de mim está tudo desequilibrado.
Talvez, de tudo, muito mais do que contabilizei ficou...
Danielle G. da Silva
Sim! Guardo “coisas velhas” dentro de mim...
E o tempo não consegue carregar consigo a essência delas;
ele apenas corrói, enferruja e desgasta o que é visível.
Sou repleta de compartimentos.
O problema é categorizar ou hierarquizar os objetos contidos neles...
Não, não! Tem mais um grande problema:
não consigo fazer apenas uma visita ao ano naquele templo de coisas antigas como fazem os estudantes]
Tampouco meu interesse é acadêmico.
Este museu é minha moradia...
Quando resolvo sair para passear ao shopping,
assusto-me com tanta novidade e tecnologia.
Sou mesmo à moda antiga...
Creio no Sol, mesmo quando ele não brilha;
Creio no amor, mesmo quando não há correspondência;
Creio até no perdão, mesmo quando esta é a coisa mais difícil de ser conquistada.
Mas, pensando bem, há algo de mim naquele shopping:
as lojas que fecham para balanço.
Minha revisão interior faz-se urgentemente necessária!!!
Paixões, amores, namoros e amizades vieram e com a mesma efemeridade se foram.
Mas há algo de errado porque dentro de mim está tudo desequilibrado.
Talvez, de tudo, muito mais do que contabilizei ficou...
Danielle G. da Silva
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