quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Apenas um instante...

Foi num instante que tudo aconteceu. Por um instante toda a minha vida mudou. Uma ofuscante fresta de luz veio com a velocidade de um raio. E num pequeno instante tudo que parecia real se transformou em sonho: imagens perfeitas. O que sabia escorria por entre meus dedos. Minhas mãos, ampulhetas. Perdia covardemente o controle da situação. Me sentia um ponto em meio a todo o Universo. Eu já não mais me pertencia.
E esse instante agigantou-se com a força de um Titã. Inabalável instante. Sucessões instantâneas de prazer. Estes pequenos grãos uniram-se em meu corpo, tomando-o por completo. Impregnou meus pensamentos, minha pele, minha roupa; penetrou em minha alma. Tinha um formato líquido, cor forte, flamejante. Passeava por entre minhas veias queimando, ardendo. Agora as chamas já haviam me invadido por completo. A loucura tomava conta de mim. Eu era puro descontrole... Eu e você: alquimia perigosa.
O mesmo instante que me tomava e manipulava, paralisava-me, dinamizava-me. De forma ilógica minha vida voltava, ao passo que, minha respiração desregulava. A emoção me desnudava. Eu me sentia! Agora – não mais zumbi – alguém enérgica, louca para viver a vida como vier. Vivê-la intensa, louca e profundamente. Antes - alguém acuada por um medo tatuado no peito – alguém que carregava consigo um enorme peso: um escudo. Hoje, sem armas, sem pesares. Impulsos a todo vapor. Sem razão. Novamente uma boba... Mas agora uma boba feliz, uma boba viva! Toda aquela segurança hermética e surreal desabou, foi destruída. Era apenas um espectro negro a mais para me perseguir. Livre! Alguém me libertou... Não do temor, mas da morte em vida. Estou eu, aqui, feito a bela adormecida, salva por um beijo de seu príncipe... Encantada com os descaminhos da vida, encantada por você. Boba... Boba!!!


Danielle G. da Silva

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O Museu em mim

Sou como um museu.
Sim! Guardo “coisas velhas” dentro de mim...
E o tempo não consegue carregar consigo a essência delas;
ele apenas corrói, enferruja e desgasta o que é visível.

Sou repleta de compartimentos.
O problema é categorizar ou hierarquizar os objetos contidos neles...
Não, não! Tem mais um grande problema:
não consigo fazer apenas uma visita ao ano naquele templo de coisas antigas como fazem os estudantes]
Tampouco meu interesse é acadêmico.
Este museu é minha moradia...

Quando resolvo sair para passear ao shopping,
assusto-me com tanta novidade e tecnologia.
Sou mesmo à moda antiga...
Creio no Sol, mesmo quando ele não brilha;
Creio no amor, mesmo quando não há correspondência;
Creio até no perdão, mesmo quando esta é a coisa mais difícil de ser conquistada.

Mas, pensando bem, há algo de mim naquele shopping:
as lojas que fecham para balanço.
Minha revisão interior faz-se urgentemente necessária!!!
Paixões, amores, namoros e amizades vieram e com a mesma efemeridade se foram.
Mas há algo de errado porque dentro de mim está tudo desequilibrado.
Talvez, de tudo, muito mais do que contabilizei ficou...

Danielle G. da Silva