Vivo a procura de mim mesma: em cada gota que cai do céu, em cada grão de areia que preenche o fundo do oceano e em cada estrela que quando chega aos nossos olhos sequer existem mais... É tudo imensidão, ilusão. Me encontro nas mais vis e inocentes situações; escorro por entre os dedos... Sou voraz, sou fulgás e até mesmo volátil. Sou surpresa inesperada que umas vezes vai e outras vezes fica. Indo e voltando.. Mas onde estou de verdade em meio a esse tudo, esse nada?
Onde estou eu? Será que na vela de um barco ou será que por onde o vento passa? Talvez até num móvel empoeirado ou num poço vazio... Me vejo em todas as partes; sou uma ou não sou nenhuma? Quem sabe só uma ventania que tudo derruba, mas nada leva... Quem sabe somente um mar depois de um tsunami. Apenas um livro empoirado e velho esquecido numa prateleira... Uma enciclopédia não consultada...
E esta longa procura parece não ter fim... Se é perene não é rio nem papel. Se tem correnteza e covardes ondas me desarmam é mar. Não pode ser riacho porque é gigante, também não é somente uma queda d'água, pois é titânico. Ora sou uma imensidão dentro de um ponto, ora um ponto diante da imensidão. Uma força enorme diante da fragilidade circundante, uma fraqueza desmedida ante o gigante desafio da vida. Não é cachoeira porque nem é tão belo, nem tão doce. Talvez agridoce ou mesmo puro sal. Mas sei que neste lugar tem vida; sinto que há uma forte pulsação. Não é de todo um mal... Mas será que é infinito?
É por entre brava coragem que me escondo; que escondo meus medos e devaneios de um coração tão sofrido. A covardia também, por vezes, me faz moradia. E fico parada ou simplesmente vou... Até a morte nos leva. Tudo se acaba. Mas o que será que fica? É só o amor....
Danielle G. da Silva