Pior que tiro à queima-roupa é sentir a navalha roçar sua pele, sua carne, seu cerne. Vagarosamente... Pouco a pouco partes suas são fragmentadas, extorquidas, mutiladas, aniquiladas. Paulatinamente. Atira! Acaba de vez com a pouca respiração que me restou. Mata de vez este corpo esmolecido pelas pancadas desumanas. Leva! Leva de vez toda mesquinhês e hipocresia. Leva minha pulsação... Esgote os resquícios das salivas que circulam por entre minhas veias. Atira de vez e arranca de mim todos os males. Mas não, não destrua mais, não destrua indiferentemente meus restos vitais; eles são tudo que tenho, tudo que me restou. Leve meu corpo, mas deixe minha alma resplandecer...
Danielle G. da Silva
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